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Festival FALA 2026 encerra edição em Salvador e anuncia…

Após reunir cerca de 300 pessoas e alcançar 379 mil visualizações nas redes sociais, festival prepara edital para grupos de mídia independente, comunicação popular, jornalismo local, arte e cultura de Salvador e região

Mesa de abertura do Festival FALA 2026. Da esquerda para a direita, o jornalista André Santana, mediador, Billy Malachias, Nina Santos e a professora Ana Célia Silva. Imagem: Saulo de Tarso/Instituto FALA

O Festival FALA 2026 encerrou sua sétima edição em Salvador reafirmando a proposta de aproximar comunicação, cultura, arte e mobilização social a partir das experiências e perspectivas de pessoas negras e de diferentes territórios do país. Ao longo de três dias de programação, entre 20 e 22 de agosto, cerca de 300 pessoas participaram de mesas, rodas de conversa, atividades audiovisuais e apresentações artísticas que colocaram em discussão os desafios do presente e os caminhos para o futuro do jornalismo e da comunicação de causas.

Com o tema “Comunicação que atravessa o tempo e as telas”, a edição marcou também o retorno do festival à cidade onde sua trajetória começou. Salvador recebeu participantes de São Paulo, Pernambuco, Santa Catarina e Rio de Janeiro, além de diferentes cidades baianas, como Vitória da Conquista e Cachoeira.

Professora Rosane Borges e seu livro ‘Imaginários emergentes e mulheres negras’ – Imagem: Saulo de Tarso/Instituto FALA

A programação partiu de questões que atravessam diretamente a produção de informação no Brasil: quem tem o direito de produzir narrativas, quais histórias permanecem invisibilizadas e como as transformações tecnológicas podem conviver com conhecimentos, memórias e práticas construídas historicamente pelas comunidades.

Entre os pontos centrais da edição estiveram as reflexões inspiradas no pensamento do geógrafo Milton Santos e na obra “Imaginários Emergentes e Mulheres Negras”, da pesquisadora Rosane Borges. Os debates colocaram em perspectiva temas como território, visibilidade, produção de conhecimento e o protagonismo das mulheres negras na construção e na disputa dos imaginários sobre o Brasil.

Diana Mendes, André Santanna, Billy Malachias, e as homenagens a Milton Santos, recebida por sua neta Nina Santos, e à professora Ana Célia Silva – Imagem: Saulo de Tarso/Instituto FALA

A relação entre passado, presente e futuro também atravessou as conversas sobre tecnologias ancestrais e digitais, os impactos das mudanças tecnológicas no jornalismo e as intersecções entre raça, identidade e produção de conhecimento. Em vez de tratar inovação apenas a partir das ferramentas mais recentes, o festival ampliou a discussão para reconhecer saberes e tecnologias desenvolvidos historicamente por populações negras, indígenas e periféricas.

A memória ocupou outro lugar importante na programação. O FALA promoveu homenagens ao intelectual Milton Santos e à educadora Ana Célia da Silva, referência na educação antirracista brasileira, além de abrir espaço para celebrar trajetórias coletivas que ajudaram a construir a luta negra no país.

Tributo ao Movimento Negro Unificado (MNU), à União de Negros pela Igualdade (Unegro) e ao legado de Mãe Hilda Jitolu – Imagem: Paulo de Tarso/Instituto FALA

O último dia também trouxe um tributo ao Movimento Negro Unificado (MNU), à União de Negros pela Igualdade (Unegro) e ao legado de Mãe Hilda Jitolu, conectando a história dessas organizações e lideranças aos desafios contemporâneos enfrentados pela população negra. Juventude, comunicação comunitária, inovação e a atuação de mulheres negras em seus territórios estiveram entre os assuntos que completaram a agenda de debates.

A dimensão cultural acompanhou as discussões durante toda a edição. Foram oito apresentações artísticas, reforçando a arte não apenas como parte da programação, mas como linguagem fundamental para a construção de memória, identidade e pertencimento. O audiovisual também ganhou espaço com o Cine FALA!, dedicado à exibição de produções realizadas pelos coletivos vencedores do Edital FALA! 2026.

Para Antonio Junião, um dos diretores responsáveis pelo Festival FALA 2026, a diversidade de pessoas e territórios reunidos em Salvador sintetiza um dos principais objetivos do projeto.

“Quando olhamos para essa edição, percebemos que o FALA conseguiu construir um encontro entre diferentes gerações, territórios e formas de produzir conhecimento. Tivemos pessoas de outros estados, do interior da Bahia, organizações, artistas e comunicadores compartilhando o mesmo espaço. Mais do que realizar uma programação, queremos criar conexões que continuem existindo depois do festival e fortalecer uma rede que pensa a comunicação a partir de outras perspectivas”, afirma.

Festival ultrapassa as fronteiras de Salvador

A mobilização presencial reuniu mais de 15 organizações parceiras, mas o alcance da edição também avançou para o ambiente digital. Entre 25 de julho, quando começaram as publicações relacionadas ao festival, e 25 de agosto, os conteúdos do FALA somaram mais de 379 mil visualizações.

No período, o perfil do festival conquistou mais de mil novos seguidores e registrou mais de 14 mil interações. As publicações alcançaram usuários não apenas no Brasil, mas também em países como Portugal, Colômbia, Itália e Estados Unidos.

Para Elaine Silva, uma das diretoras responsáveis pelo Festival FALA 2026, essa circulação amplia a capacidade do festival de fazer com que as discussões iniciadas presencialmente continuem chegando a outros públicos.

“O FALA acontece no encontro, na escuta e na troca entre quem está presente, mas a nossa intenção é que essas discussões não fiquem restritas aos três dias de programação. Quando um debate realizado em Salvador chega a pessoas de outros estados e até de outros países, ampliamos a circulação dessas ideias, referências, artistas e iniciativas. É assim que conseguimos fazer essas narrativas ocuparem novos espaços e continuarem reverberando”, destaca.

Edital FALA! dará continuidade às discussões do festival

Como desdobramento da edição realizada em Salvador, o Instituto FALA prepara o lançamento de uma nova edição do Edital FALA!, iniciativa realizada após cada edição do festival para ampliar o impacto das discussões e fortalecer quem produz comunicação, jornalismo, arte e cultura nos territórios.

Desta vez, o edital será voltado a grupos de mídia independente, coletivos de comunicação popular e jornalismo local, além de iniciativas de arte e cultura de Salvador e região.

O objetivo é incentivar a criação de conteúdos jornalísticos que dialoguem com diferentes narrativas e linguagens sobre arte e culturas, comprometidos com a diversidade, a defesa dos direitos humanos e da democracia e construídos a partir das vivências dos territórios periféricos.

A iniciativa também estabelece uma continuidade entre os debates realizados durante o festival e a produção concreta de novas narrativas. Ao apoiar grupos e coletivos locais, o Edital FALA! busca ampliar as condições para que histórias, perspectivas e experiências dos territórios possam ganhar espaço e circulação.

As inscrições serão abertas em breve. Informações sobre prazos, critérios de participação e demais etapas serão divulgadas pelas redes sociais e pelo site oficial do Instituto FALA.

O balanço da sétima edição reforça o Festival FALA como um espaço em que jornalismo, cultura, memória, ancestralidade e inovação não aparecem como discussões separadas. Ao reunir diferentes gerações, organizações, artistas, pesquisadores, comunicadores e territórios em Salvador e preparar uma nova etapa de incentivo à produção local, o projeto amplia sua atuação para além dos dias de programação e transforma as discussões provocadas pelo festival em possibilidades concretas de produção, circulação e fortalecimento de novas narrativas.

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